Tristeza em Alfama

Naquelas noites estreladas
me mergulho numa tristeza profunda
sozinho, deserto num banco,
olhando o céu que me trouxera aqui
Enquanto o mundo nunca para,
nunca suspenderá a dança delirante
a minha vida fica parada, cinzelada
sem futuro sem passado, treva só
As estrelas que te poderia mostrar,
sentindo você nos meus braços,
sorriem para mim e prometem
que o rio do tempo tudo cure
Vagueio pelas ruas as quais brilham
no esplendor da alegria que não sinto
nunca sentia, mas que me lembram
de imagens que espero que sejam minhas
Os beijos dos amantes parecem
a grande ilusão desta noite encantada
enquanto a realidade desachega-se,
só deixa no pó os sonhos desvairados
Caminhava esta viagem mil mil vezes
sozinho e com ideias lontanas
pensando na cidade de cem torres,
um por cada uma lembrança de ti. 

A vida impossível

Isso é a minha primeira poesia portuguesa, ouvindo o murmúrio do mar.

Além do mar encontra-se um castelo de mármore,
bem escudo das ondas gigantescas,
para onde as minhas lembranças se dirigem,
quando a solidão preta me sobrecarga.

Ao longo das ruas orladas pelas palmeiras,
vagueio com a mente cheia de locura,
vejo o mar vastamente espumando,
e penso nos tempos perdidos,

Quando acreditava que a vida fosse um jogo simples,
que tivesse as chaves pro mundo nas minhas mãos,
você despedacou a esperança florescente,
que os meus passos nunca seriam sozinhos.

A ver o mundo, a conhecer a alma humana
é encontrar si mesmo no espelho,
A ver a ultima edema da floresta
é encontrar o fim da ternura.

Sonhando com os meus egos desbotados,
tomando um gole a este pedido,
suspiro o ar do mar com gozo,
e esqueço a ferida da minha vida,

Vejo-te numa bancada ao litoral,
onde ficas sozinha como fora eu,
tarde demais para um começo novo,
demais cedo para o último adeus.

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