O nosso coro

A vida é um canto sozinho,
eco vazio num amanhecer triste,
desvanecendo no vale dos sonhos,
onde declives choram orvalho
e arroios lamentam a tua partida

Conheces tu o limite de tudo?
O véu suave que cobriu os nossos
olhos nas noites do verão quando
uma só canção fez-nos uma casa,
telhado de estrelas, parede de
montanhas férreos, feita do amor

Disseste que partiríamos amanhã,
e ainda estou a esperar por você,
horas, noites e dias passam sem dizer
verdades, enquanto novas vidas nascem

Ouves o mundo a cantar o nosso coro?
Uma vida toda soando nas suas letras,
mil mil vozes revelam desejos noturnos
de ser, de amar e partilhar suspiros

Deixa-me à porta de ninguém,
juntos batemos às portas do infinito,
infinito que vem, infinito que fora,
só há nós dançando à beira do infinito.

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A vida impossível

Isso é a minha primeira poesia portuguesa, ouvindo o murmúrio do mar.

Além do mar encontra-se um castelo de mármore,
bem escudo das ondas gigantescas,
para onde as minhas lembranças se dirigem,
quando a solidão preta me sobrecarga.

Ao longo das ruas orladas pelas palmeiras,
vagueio com a mente cheia de locura,
vejo o mar vastamente espumando,
e penso nos tempos perdidos,

Quando acreditava que a vida fosse um jogo simples,
que tivesse as chaves pro mundo nas minhas mãos,
você despedacou a esperança florescente,
que os meus passos nunca seriam sozinhos.

A ver o mundo, a conhecer a alma humana
é encontrar si mesmo no espelho,
A ver a ultima edema da floresta
é encontrar o fim da ternura.

Sonhando com os meus egos desbotados,
tomando um gole a este pedido,
suspiro o ar do mar com gozo,
e esqueço a ferida da minha vida,

Vejo-te numa bancada ao litoral,
onde ficas sozinha como fora eu,
tarde demais para um começo novo,
demais cedo para o último adeus.

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